3 de dezembro de 2016

O adolescente cristão e suas amizades

No que se diz respeito a bons amigos todos devemos ter, e eles são muito importante para o relacionamento humano.

O ser humano foi criado como um ser social, não foi projetado por Deus para viver sozinho e alienado. Entretanto, desde o principio Deus sempre se preocupou com o tipo de pessoas com quem seu povo se relaciona. A Amizade é um sentimento especial e não se compra, mas adquiri-se através de escolhas. Por isso, faz-se necessário uma seleção preparada com antecedência sob um olhar observatório. Em outras palavras, escolher um bom amigo é optar por relacionamentos fieis em todas as circunstâncias que nos influenciem positivamente e desafiem melhoras em nosso caráter através das trocas de conselhos sadios e puros.

I - ADOLESCENTES E AS AMEAÇAS DAS MÁS AMIZADES
No que se diz respeito a bons amigos todos devemos ter, e eles são muito importante para o relacionamento humano. Afinal, como reconhecer se as qualidades do meu amigo é a escolha certa para uma verdadeira amizade? O bom amigo é alguém que: a) encoraja (Ec 4.9-11); b) é um bom conselheiro (Pv 27.5-6); e c) percebe o nosso potencial (Tm 4.12). E para termos uma boa amizade precisamos ser bons amigos.“(...) Muitas pessoas são amigas de ocasião, ficam por perto quando a amizade os beneficia e afasta-se quando não conseguem tirar proveito do relacionamento. Pense sobre seus amigos e avalie sua lealdade para com eles. Seja o tipo de amigo verdadeiro que a Bíblia nos encoraja a ser” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, 2012, p. 854).

1.1 Definição da palavra amizade. Amizade do latim “amicus”; que significa amigo, que possivelmente se derivou de “amore”; que é amar. É uma relação afetiva entre duas ou mais pessoas. Em sentido amplo, é um relacionamento humano que envolve o conhecimento mútuo, afeição e lealdade. O dicionário da língua portuguesa define como: “sentimento de grande afeição e fidelidade, simpatia, apreço entre pessoas” (FERREIRA, 2004, p. 121). É o relacionamento que as pessoas têm de afeto por outra, que possuem um sentimento proteção. Algumas bases do sentimento de amizade são a reciprocidade do afeto, ajuda mútua, compreensão, fidelidade e confiança.

1.2 De acordo com as amizades que cultivamos, podemos ter nossa personalidade bem formada, ou deformada (1Co 15.33; Rm 16.17; 2 Co 6.14-17). Os jovens e adolescentes cristãos correm o risco de ser envolvidos por amizades ímpias e muitos caem em armadilhas, envolvendo-se com drogas, sexo ilícito, desobediência e violência. É preciso saber escolher os amigos. Diz o salmista: “Companheiro sou de todos os que te temem e dos que guardam os teus preceitos” (Sl 119.63).

II - INSTRUÇÕES SOBRE AS AMIZADES
Alguém disse que “nenhum homem é uma ilha isolada”. De fato, se refletirmos nessa afirmativa a partir de um ponto de vista social, chegaremos à conclusão de que não é possível vivermos solitariamente. No entanto, devemos ter muito cuidado com nossas amizades. Vejamos:

2.1 As Escrituras nos orientam sobre a escolha dos nossos amigos. Os amigos têm muita influência em nossas vidas: "O justo serve de guia para o seu companheiro, mas o caminho dos perversos os faz errar" (Pv 12.26). Por este motivo, a escolha de amigos é um assunto de grande importância: "Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau" (Pv 13.20). No final de contas, nossas escolhas não envolvem apenas pessoas, mas decidem a nossa direção na vida e na eternidade também.

2.2 A amizade com o mundo é inimizade com Deus. Tiago frisou bem este fato quando perguntou: "Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus" (Tg 4.4). O mesmo livro fala de um homem de grande fé que rejeitou os caminhos errados de outros homens e mostrou a sua lealdade ao Senhor: "Foi chamado amigo de Deus" (Tg 2.23). Devemos escolher bons amigos que nos ajudarão, especialmente em termos espirituais e morais (Dn 2.17,18).

2.3 As más influências das amizades. Devemos ter cuidado com pessoas que não amam a Deus e não respeitam a sua Palavra e nos oferecem a sua amizade. Temos que influenciar tais pessoas pela nossa fé e o exemplo de uma vida reta (Jr 15.19). O próprio Jesus fez questão de ter contato com pecadores, oferecendo-lhes a Palavra eterna de salvação (Lc 15.1; Mt 9.10-13). O perigo vem quando não confessamos a nossa fé no meio de uma geração perversa (Mc 8.38; Fp 2.15). Ao invés de conduzir outros a Cristo, deixamos as más influências nos corromperem. O insensato evita pessoas que o corrigem e o criticam, procurando aprovação acima de sabedoria (Pv 15.12,14). Ninguém gosta de ser corrigido, mas todos nós precisamos de amigos que nos amam ao ponto de mostrar os nossos erros (Pv 27.5-6).

2.4 A As más amizades nos induzem a pecar contra Deus. Infelizmente, observamos a tragédia espiritual na vida de muitas pessoas hoje pelo nosso adversário. Quantos jovens são induzidos a usar drogas, ou até de se tornar traficantes, a desobedecerem aos pais pela influência de "amigos"? Quantos se integram a gangues e acabam cometendo vários tipos de crime? A Bíblia nos orienta a nos afastar deste tipo de amizade (Pv 1.10-16). Alguns dos amigos mais perigosos são aqueles que sempre concordam conosco, apoiando-nos mesmo nas coisas erradas. "Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir a canção do insensato" (Ec 7.5). O amigo verdadeiro nos corrige, nos ensina o caminho correto e a pessoa sábia procura ter amigos com coragem e convicção para a repreender quando for necessário (Pv 9.8; 15.12).

2.5 Algumas amizades precisam ser totalmente evitadas. Nossa amizade deve ser bem escolhida (Sl 1.1). Quando outros querem nos conduzir ao erro, precisamos sair correndo: "Foge da presença do homem insensato, porque nele não divisarás lábios de conhecimento. A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho, mas a estultícia dos insensatos é enganadora. Os loucos zombam do pecado, mas entre os retos há boa vontade" (Pv 14.7-9).

2.6 Devemos evitar amizades negativas. Infelizmente o fato de alguém participar de uma igreja ou se dizer cristão não é garantia de uma amizade saudável e edificante. Moisés avisou sobre parentes e amigos que incentivam os servos de Deus a servir outros deuses e mandou que não concordassem, nem ouvissem, nem olhassem com piedade para aqueles falsos amigos: “Se teu irmão, filho da tua mãe, ou teu filho, ou a tua filha, ou a mulher do teu regaço ou o teu amigo mais íntimo, te incitar […] não o atenderás nem os ouvirás [..]” (Dt 13.6-8). Paulo diz: "Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes" (1Co 15.33). Alguns aproveitam a amizade para induzir outros a serem desobedientes. Temos que julgar a árvore pelos frutos (Mt 7.15-20), retendo o que é bom e nos abstendo de toda forma de mal (1Ts 5.21-22).

III - A BÍBLIA E AS AMIZADES
As Escrituras nos aconselham sobre as responsabilidades de amigos fiéis e verdadeiros (Sl 101.6). "Mais vale o vizinho perto do que o irmão longe" (Pv 27.10). "O olhar de amigo alegra ao coração; as boas-novas fortalecem até os ossos" (Pv 15.30). Não devemos abusar da amizade, causando aborrecimentos: "Não sejas frequente na casa do teu próximo, para que não se enfade de ti e te aborreça" (Pv 25.17). Não devemos abandonar nem trair os nossos amigos (Pv 27.10). Amigos verdadeiros não são interesseiros, mas aqueles companheiros fiéis que ficam nos bons tempos e nos maus: "Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão" (Pv 17.17). A amizade verdadeira traz benefícios mútuos: "Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo" (Pv 27.17). As orientações bíblicas são valiosas para nos guiar em fazer e manter boas amizades. Vejamos exemplos de amizades boas e más:

3.1 Davi e Jônatas exemplo de uma boa amizade. Talvez a mais conhecida amizade na história bíblica seja a de Davi com Jônatas, filho do rei Saul. O ciumento rei tentou matar o jovem Davi, escolhido por Deus como seu sucessor. Pelo mesmo motivo, Jônatas poderia ter olhado para Davi com inveja ou ódio. Se Deus não tivesse nomeado Davi, o próprio Jônatas seria rei depois da morte de Saul. Mas Jônatas não mostrou tais atitudes. Ele manteve uma amizade especial com Davi durante toda a sua vida. Quando Saul tentou matar Davi, foi Jônatas quem protegeu o seu amigo (1Sm 20). Davi lamentou amargamente a morte deste amigo excepcional (2Sm 1.17-27). Mesmo depois da morte de Jônatas, Davi mostrou bondade para com seu filho aleijado, Mefibosete (2Sm 9).

3.2 Amnon e Jonadabe exemplo de uma má amizade. Amnon, um dos filhos de Davi, não escolheu seus amigos como o fez o seu pai. Ao invés de cultivar amizades boas e saudáveis, ele escolheu como companheiro seu primo Jonadabe (2Sm 13.3). A Bíblia diz que ele era sagaz, e o mesmo se diz de Satanás (Gn 3.1). Quando Amnon falou com este amigo sobre os seus desejos errados pela própria irmã, Jonadabe teve uma oportunidade excelente para corrigir e ajudar o seu primo. Infelizmente, ele fez ao contrário. Ele "ajudou" Amnon a descobrir uma maneira de violentar a própria irmã. Além de levar Amnon a humilhar e odiar a moça inocente e a magoar profundamente o seu pai (2Sm 13.4-21), o conselho de Jonadabe levou à morte do próprio Amnon (2Sm 13.22-36). Jonadabe até teve coragem de tentar confortar Davi depois da morte de Amnon.

3.2.1 Roboão e seus amigos exemplo de uma má amizade. Roboão, neto de Davi, se tornou rei depois da morte de Salomão. No início do seu reinado, ele procurou conselho de várias pessoas antes de tomar uma decisão importantíssima. Ele valorizou a amizade com seus colegas acima da sabedoria dos homens mais velhos e experientes (1Rs 12.7-11). A "ajuda" destes amigos contribuiu para a divisão do reino e diminuiu muito a influência de Roboão. Nossos amigos podem falar coisas que nos agradam, mas devemos dar ouvidos à sabedoria de pessoas mais idôneas.

3.3 De tudo que a Bíblia fala sobre amizades, devemos aproveitar algumas lições importantes. Entre elas: a) Escolher cuidadosamente os nossos amigos, evitando amizades que nos levam ao pecado; b) Valorizar amigos que nos corrigem quando erramos; c) Cortar amizades que prejudicam a nossa vida espiritual, especialmente quando os "amigos" incentivam o pecado e participação em religiões falsas; d) Ser amigos fiéis e de confiança, especialmente nos momentos difíceis quando os amigos mais precisam de nós; e) Sempre manter nossa relação com Deus acima de qualquer amizade humana, confessando a nossa fé no meio de uma geração perversa. Quando se trata de amizade, devemos valorizar qualidade, e não quantidade: "O homem que tem muitos amigos sai perdendo, mas há amigo mais chegado do que um irmão" (Pv 18.24).

IV - O ADOLESCENTE CRISTÃO E SUAS AMIZADES
Em todo o Antigo Testamento há advertências severas de Deus quanto a mistura, acordos e relacionamento com povos pagãos e idólatras. O povo de Israel não deveria fazer alianças políticas, econômicas e nem sociais com eles. É lógico que a razão de tal proibição não é que Deus faz algum tipo de acepção de pessoas, como se gostasse de uns e odiasse outros. Sabendo que Deus ama a todos, qual seria então a razão de todo este cuidado? Por que precisamos ser seletivos e criteriosos em relação as pessoas que entram em nosso circulo de amizade?. Isto se dá por pelo menos três razões, notemos:

4.1 Porque em toda amizade haverá sempre uma troca de influência. É cientificamente comprovado que somos seres miméticos (ou seja, reproduzimos, copiamos trejeitos, comportamentos daqueles com quem convivemos). Se convivemos com um mentiroso em breve estaremos também contando mentiras; com gente preguiçosa que não quer saber de estudar em breve nossa paixão pelos estudos e trabalho diminuirá; se anda com colegas violentos, imorais, que ouvem músicas com letras profanas, sujas em pouco tempo isso se manifestará em nossos comportamentos. A linha que divide convivência e envolvimento é muito fina, e quase sempre é ultrapassada, na maioria das vezes sem perceber (1Co 15.33; Dt 13.6-8; Mt 7.15-20).

4.2 Porque nossos relacionamentos podem ser a razão de nosso sucesso ou fracasso. Ora, se os relacionamentos tem o poder de me influenciar e de até mesmo estragar meu caráter eles também podem comprometer meu futuro. Devemos ter muito cuidado com as pessoas que nos convidam a entrar em nossa vida (amigos, namorado etc) elas podem matar nossos sonhos, nos desanimar, nos tirar do caminho de sucesso e nos colocar no caminho do fracasso.

4.3 Porque nossos relacionamentos podem nos aproximar ou nos afastar de Deus. Este sempre foi o problema do povo de Israel. Toda vez que faziam alianças ou tentavam imitar seus vizinhos pagãos se afastavam de Deus caindo no mesmo erro deles e sofrendo o juízo de Deus (Êx 12.38; Nm 11.4; Jz 1.1-3; Sl 106.35). Há muitos descomprometidos com Deus; que não ora, não lê a Bíblia, não frequenta EBD, cultos de oração, de doutrinas etc. Na Bíblia todos que andaram com grandes homens se tornaram uma bênção como: Josué, Eliseu, Timóteo etc. E isto acontece, porque também há influencias positivas. Avalie e selecione melhor suas amizades; preserve as proveitosas, que edificam, que te tornam uma pessoa melhor, mas elimine aquelas que trazem o oposto disso.

CONCLUSÃO
Amigo é alguém que adquire sua confiança por causa da convivência, alguém que sempre fala a verdade, alguém que o ama e o respeita apesar dos seus defeitos, alguém que sente sua falta. O amigo é alguém que nunca deixa de amar, e se faz presente na angústia, como um irmão (Pv 17.17). É alguém que adquire sua confiança por causa da convivência, alguém que sempre fala a verdade pra você, alguém que o ama e o respeita apesar dos seus defeitos, alguém que sente sua falta.

REFERÊNCIAS
COLSON, C.; PEARCEY, N. O cristão na cultura de hoje. RJ: CPAD, 2006.
COLSON, Charles; PEARCY, Nancy. E agora, como viveremos? RJ: CPAD, 2009.
GILBERTO, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. RJ: CPAD, 2010.
PALMER, M. D. (ed.) Panorama do pensamento cristão. RJ: CPAD, 2001.
RENOVATO, Elinaldo. Perigos da Pós-Modernidade. RJ: CPAD, 2010.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1995.
PEARCEY, N. Verdade absoluta. RJ: CPAD, 2006.

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