2 de novembro de 2015

ESTUDOS DIVERSOS

Notícia - Estado Islâmico assume autoria de atentado que derrubou avião com 217 pessoas a bordo

O Estado Islâmico anunciou ser o responsável pela derrubada do avião da companhia aérea russa Metrojet, no Egito, na região do Monte Sinai. O atentado terrorista seria uma retaliação à ação dos russos na Síria, combatendo as forças dos extremistas.

“Os soldados do califado foram capazes de derrubar um avião russo na província do Sinai que transportava mais de 220 cruzados que foram todos mortos”, disseram os terroristas em uma publicação no Twitter.

O avião, modelo Airbus A-321, havia acabado de decolar de uma cidade no litoral do Egito, com destino a São Petersburgo, transportando 217 passageiros, sendo 138 mulheres, 62 homens e 17 crianças, além dos 7 tripulantes, de acordo com informações da agência Reuters.

Testemunhas disseram ter visto o avião se partindo em dois em pleno ar. Enquanto as informações ainda eram reunidas, um vídeo publicado pelo Estado Islâmico como “prova” de seu ataque surgiu na internet, mostrando o avião sendo atingido e envolto em uma densa fumaça preta.

Segundo as autoridades egípcias, o avião ainda ganhava altitude quando caiu, e confirmaram que todos que estavam a bordo morreram.

Nessa segunda-feira, 02 de novembro, o diretor da companhia aérea informou que os registros apontam que o avião estava “em excelente estado técnico”, e que somente uma “ação externa” pode explicar a queda, pois os destroços foram encontrados num raio de 20 KM², o que corrobora a afirmação dos terroristas sobre o abatimento da aeronave.

“Nós excluímos uma falha técnica ou ainda um erro de pilotagem. A única causa possível é uma ação externa”, afirmou Alexandre Smirnov, diretor da companhia aérea. “Tudo leva a crer que desde o início da catástrofe, a tripulação perdeu o controle total […] Não tentaram entrar em contato por rádio com os controladores aéreos”, acrescentou.

Viktor Sorotchenko, chefe dos especialistas aeronáuticos russos, confirmou que os dados coletados até agora mostram que o avião se despedaçou no ar antes de chegar ao chão: “O deslocamento ocorreu no ar e os fragmentos se espalharam por uma grande superfície de cerca de 20 quilômetros quadrados”.

A Rússia, principal aliada do governo sírio no combate ao Estado Islâmico, é o maior país de cristãos-ortodoxos no mundo. Os extremistas muçulmanos prometeram perseguição a todos os cristãos do planeta, e o fato de a Rússia ter entrado na linha de frente para combater as tropas terroristas pode ter contribuído para o atentado contra o avião.

Assista ao vídeo publicado pelo Estado Islâmico do momento em que o avião é atingido por um míssil terra-ar e explode:

Fonte:Gnoticias///Aqui + Notícias AH.Com. De tudo um pouco

1 de novembro de 2015

Estudo - O MAL DE ASAFE - SALMO 73

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A Bíblia pode ser acessada online
através deste site.Almeida Revista e Atualizada
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deste site.

TEMA:O MAL DE ASAFE - SALMO 73

Essa doença sempre fez Vítimas entre o povo de Deus

O pós-modernismo, segundo Zygmunt BaumanI, autor de Ética pós-moderna, caracteriza-se por ambivalência moral, nenhum código ético coerente, fim da moralidade universal, moralidade contraditória, pluralismo moral, fragmentação da verdade, personalismo moral, não reconhecimento de autoridade, ausência moral do Estado, ressurreição do paroquialismo e do tribalismo, rejeição da Revelação. Nesse ambiente filosófico, promove-se o surgimento de todo tipo de pecados e aberrações, quer contra Deus, quer contra a sociedade, contra instituições, contra a natureza e as pessoas. A mentira tornou-se o idioma do pragmatismo de uma sociedade secularizada, ególatra e sensual. Roubar, seguido ou não de morte da vítima, tornou-se prática comum dos que desejam sobreviver ou acumular fortunas. Em uma das ruas do centro de Curitiba, uma família sem teto preparava-se para dormir debaixo de uma marquise. Antes de se enrolarem em suas pobres e empoeiradas cobertas, colocaram um pedaço de papelão, ajoelharam-se e oraram antes de dormir. Cenas como essas nos lembram constantemente que o mal já está maduro para ser punido e eliminado. Por isso, vem-nos à mente a pergunta do vidente de Patmos: ''Até quando, ó Soberano Senhor?" Não raras vezes, fazemos essa pergunta diante das incertezas da vida: Até quando continuarei sendo um pobre honesto vivendo no meio de ricos desonestos? Até quando continuarei fiel, mesmo sendo injustiçado?

Nessas circunstâncias, a experiência vivida pelo poeta e músico sacro Asafe torna-se uma grande ajuda. Consideremos o salmo 73 para descobrirmos o mal que atormentou aquele compositor e como ele conseguiu cura definitiva para sua alma.

O mal de Asafe2

- Asafe não era um mero musicista. Na verdade, era um dos principais levitas. Cantor, compositor e músico instrumentista que servia a Deus, junto com Jedutum e Hemã. I Crônicas 25:5-6 informa que ele também serviu a Deus, como profeta, no reinado de Davi. Por ocasião do episódio do transporte da Arca, da casa de Obede-Edom para a tenda armada por Davi, a fidelidade de Asafe motivou o rei a promovê-Io a ministro da música. Seus instrumentos preferidos eram: harpa, alaúde e címbalo.

Junto com quatro mil levitas, Asafe louvava continuamente ao Senhor. Liderou um grupo de 288 mestres da música, aos quais chamava seus filhos. Escreveu, junto com eles, doze dos 150 salmos contidos na Bíblia. Ele conhecia a bondade de Deus para com Israel. Asafe desfrutava da intimidade do rei e do seu ambiente no palácio. Alguns pensam que foi dentro da casa real que começou a sua crise, quando conheceu a prosperidade do ímpio Absalão. Mas parece que a crise de Asafe tinha raízes mais profundas, pois ele sentava-se no lugar, não do ímpio, mas do próprio Deus, que, segundo sua visão, era o protetor de toda a impiedade.

A declaração de abertura do cântico, no verso 1:"Com efeito, Deus é bom para com Israel, para com os de coração limpo"pode situar-se antes e depois da crise. Asafe diz no verso 2: "Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que se desviassem os meus passos. Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a prosperidade dos perversos:'Para Asafe, os ímpios não tinham preocupações, não enfrentavam problemas de ordem financeira, nem pareciam sofrer de enfermidades. Erguiam-se em sua violência contra os pobres, e sua altivez era dirigida contra Deus, com ar de ironia, fazendo pouco caso da existência do Senhor e da Sua justiça (versos 4-13).

À semelhança de todos os judeus piedosos, Asafe desejava alcançar saúde e pureza espiritual. Isso, porém, não o tornava imune às enfermidades degenerativas. Pela leitura do verso 14,podemos até pensar que Asafe estava sofrendo de alguma enfermidade grave. A situação do salmista poderia ser lida na declaração de Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a ter vergonha de ser honesto."

Salvo por um triz- A ênfase da confissão de Asafe é dramática:

"quase me resvalaram os pés, pouco faltou para que se desviassem os meus passos". Isso que dizer que pouco faltou para chegar à incredulidade. Pouco faltou para que ele rompesse com a idéia de um Deus sábio, bom e justo. Ele esteve perto de uma violenta mudança de pensamento é de comportamento. Por pouco, Asafe não contrariou o que está registrado no Salmo 78:3-4: "O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o Seu poder, e as maravilhas que fez." Alguém escreveu que, se fosse hoje, Asafe teria trocado "Jesus, alegria dos homens", de J. S. Bach, por outra música que o levasse à fama; talvez pelas pobres produções religiosas, que misturam fé com sensualismo, mas vendem.3 Quase Asafe trocou o templo do Senhor por um templo pagão, por um terreiro ou uma bola de cristal.

Ele estava a um passo do inferno, da perdição, da incredulidade. A erosão foi lenta, mas progressiva. Essa é a característica da apostasia. Nenhuma queda acontece por impulso momentâneo. Há antecedentes de condescendência própria, de aceitação do pecado em sua forma embrionária. Quantas vezes, Asafe desejou vingar-se. Quantas vezes foi açoitado pela ira; quantas vezes, quis projectar-se por meio do egoísmo; quantas vezes, foi atiçado pela lascívia; quantas . vezes, sentiu desânimo e preguiça!

Certo dia, ele acordou sentindo-se frustrado e pensou: "Com efeito, inutilmente conservei puro o coração e lavei as mãos na inocência. Pois de contínuo sou afligido e cada manhã, castigado" (versos 13 e 14). Pensou: "Será que foi à toa que me esforcei para não pecar e permanecer puro?" O que mais o desnorteou foi a falsa impressão de que o seu zelo não lhe rendia nada. Sua conclusão foi de que Deus não o tratava de modo especial. Ele não era poupado das intempéries, do cansaço, da aflição, da doença. Isso parecia não ocorrer com os ímpios - os notáveis.

Era um puro no anonimato.

Comparação - A comparação dos efeitos do mal de Asafe com os causados pelo mal de Alzheimer revela significativas semelhanças. O conhecido mal de Alzheimer recebe este nome de Alois Alzheimer, médico alemão que, em 1906, reconheceu e localizou uma doença que corrói a mente, apaga progressivamente todas as lembranças e transforma o outrora corpo sadio e vibrante em um saco de carne e ossos que ainda se movimenta, pelo menos nos primeiros anos de enfermidade.

Mas o esvaziamento da memória também esvazia a vida de relacionamentos e movimentos. Na revista Veja4, a professora Yone Beraldo, filha da costureira Adeilde de Moura, vítima dessa doença, afirma: "Eu perco minha mãe um pouco cada dia:'Adeilde, costureira desde a juventude, agora já não sabe mais costurar; entregou-se ao desleixo e à agressividade. A filha desabafou: "Vivo um luto diário:'

O mal de Asafe não está catalogado como enfermidade, mas tem efeito semelhante na memória espiritual de uma pessoa, pois também corrói a mente pelo apagar progressivo de todas as certezas da vida em Cristo e por transformar a alma em um saco de dúvidas e revolta.

No entanto, Asafe resistiu a toda dúvida e sentimentos negativos. Afastou-os por amor do Senhor e por causa de Seu nome. Infelizmente, nem todos encontram a cura que Asafe alcançou. Balaão parece ter sido vítima desse mal. O pecado tornou-o mais embrutecido que um animal. O mesmo poderia ser dito de Demas, jovem ministro que participou das experiências missionárias de Paulo e sua equipe. O lamento de Paulo sobre sua apostasia dá-nos a entender que Demas não resistiu ao desejo da riqueza e de uma vida fácil: "Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica:' -(11Tim. 4:10.) o fracasso de Templeton- Na crónica evangélica, Charles Templeton6 é outro caso fatal do mal de Asafe. Ele foi um evangelista de tão grande sucesso que alguns pensaram que eclipsaria Billy Graham em bem pouco tempo. Ambos estão sofrendo de males físicos degenerativos. Graham, aos 80 anos de idade, mal pode se firmar em pé, sem a ajuda do púlpito. Está acometido do mal de Parkinson. Em 1949, aos 30 anos de idade, enquanto se preparava para a grande cruzada de Los Angeles, Billy já era amigo de Charles Templeton. Nessa época, Billy tornou-se alvo de grande incerteza: Como podia confiar plenamente no que a Bíblia lhe dizia? Ele revelou que duas forças operavam de modo contrário sobre sua vida, nessa ocasião. Uma força era representada por Henrietta Mears, uma cristã comprometida com a Palavra, e que impulsionava Billy em direção a Deus. A outra força era representada por Charles Templeton, que injetava dúvidas na mente do grande pregador. Este sabia que, se não pudesse confiar na Bíblia, não tinha como prosseguir pregando. Billy conta que a influência de Charles Templeton estava "ganhando a queda de braço". Contudo, o fardo de dúvidas foi removido por Deus quando Billy clamou por auxílio do Céu. A cruzada de Los Angeles teve grande sucesso, assim como todo o ministério do mais famoso evangelista do século 20.

Adeus a Deus- Templeton, infelizmente, não conseguiu resolver suas dúvidas. Ele disse acerca de Billy Graham que este havia cometido o suicídio intelectual ao fechar sua mente ao questionamento da fé. Na verdade, o contrário aconteceu: Templeton foi devastado por dúvidas cada vez maiores. Renunciou ao ministério e tornou-se comentarista e romancista, no Canadá. Suas dúvidas podem ser sumarizadas em oito pontos:

'(1) Uma vez que o mal e o sofrimento existem, não pode haver um Deus amoroso;

2) Uma vez que os milagres contradizem a ciência, não podem ser verdadeiros;

3) Se Deus realmente criou o Universo, por que as evidências persuasivas da ciência impelem tantas pessoas a concluir que o processo espontâneo da evolução explica a vida?

4) Se Deus é moralmente puro, como pode sancionar o massacre de crianças inocentes, como afirma o Antigo Testamento?

5) Se Jesus é o caminho único para o Céu, que dizer dos milhões de pessoas que nunca ouviram falar dEle?

6) Se Deus Se preocupa com as pessoas que criou, como pode entregar tantas delas a uma eternidade de tormento no inferno somente porque não creram nas coisas certas a respeito dEle?

7) Se Deus é o dirigente supremo da igreja, por que ela tem estado repleta de hipocrisia e brutalidade ao longo dos séculos?

8) Se ainda sou assaltado por dúvidas, ainda posso ser cristão?" Curiosamente, Templeton tornou-se também vítima do mal de Alzheimer. Sua enfermidade física agravou sua condição espiritual. O sumário de sua história é que Templeron não soube conciliar o sofrimento dos outros e o dele com a bondade de Deus. Naufragou na fé e tornou-se ateu.

Graças ao Senhor, Asafe agiu de modo diferente de Templeton. Resistiu a todos seus sentimentos negativos e deles se livrou por amor do Senhor e por causa de Seu nome. Asafe foi salvo no meio do processo de apostasia mental. Foi salvo antes que seus pensamentos se tornassem ações pecaminosas. Nesse extraordinário cântico de fé - o salmo 73 - Asafe prescreve três salvaguardas contra a tentação.

Três salvaguardas

Asafe controlou a língua. Ele disse: "Se eu pensara em falar tais palavras, já aí teria traído a geração de Teus ftlhos. Em só reflectir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim" (versos 15 e 16).Ele rejeitou a tentação de conversar acerca de suas dúvidas, de sua inveja.

"Quando alguém vos pergunta como vos sentis, não penseis em qualquer coisa triste para contar a fim de atrair simpatia. Não faleis de vossa falta de fé e de vossas aflições e sofrimentos. O tentador se deleita em ouvir palavras assim. Quando falais em assuntos sombrios, estais a glorificá-lo. Não devemos nos demorar no grande poder de Satanás para nos vencer."

Asafe fez uso da sua memória religiosa. Ele tinha convicção do cuidado de Deus ao longo de sua vida e na história do seu povo. Assim, podia confessar não apenas que "Deus é bom para com Israel", mas que o Senhor é bom "para com os de coração limpo" (verso 1). Um dos recursos de que lançou mão foi a lembrança de que é "bom estar junto a Deus

"Quando o pecado luta pelo predomínio no coração, quando a culpa oprime a alma e sobrecarrega a consciência, quando a incredulidade obscurece a mente -lembrai-vos de que a graça de Cristo é suficiente para subjugar o pecado e banir a escuridão. Entrando em comunhão com o Salvador, penetramos na região da paz(verso 17).

Podemos dizer que Asafe entrou no lugar certo. Podemos agir da mesma forma quando assaltados por dúvidas sobre o caráter e ações do soberano Deus. "Tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o Teu conselho e depois me recebes na glória. Quem mais tenho eu no Céu? Não há outro em quem eu me compraza na Terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre" (Sal. 73:23-26).

Asafe orou, mas não argumentou. Recobrou-se de sua' crise espiritual. Sua vida estava garantida pela única segurança que ele tinha no Céu e na Terra. A morte não era o fim do justo. Ele recobrou não apenas sua fé e esperança no Senhor, mas integrou-se novamente na missão de proclamar a bondade de Deus: "Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os Seus feitos" (verso 28). O "mal de Asafe" está sempre presente no ambiente do povo de Deus, buscando a próxima vítima. Se alguém foi acometido por esse terrível mal, aqui vai o remédio que curou Asafe: Nunca diga adeus ao Senhor sem antes entrar no Seu santuário e ali derramar diante dEle a sua dúvida e registrar a sua súplica. Pergunte ao Senhor: "Até quando haverá injustiça, opressão, fome e guerra? Até quando haverá doença e morte?". Só Deus sabe a resposta exata, mas Ele não tem o hábito de responder a essa oração do modo como o fazemos. Ele nos deixa "em suspense", mas também nos assegura que as rédeas do controle estão continuamente em Suas mãos. "Até quando, ó Soberano Senhor, não julgas a impiedade?", descansemos no fato de que nossa segurança está na palavra d’Aquele que conhece os tempos e as estações, que sabe o fim desde o princípio. Ele afirma: "Vai alta a noite, e vem chegando o dia" (Rom. 13:12). Tranquilizemo-nos com a certeza de Asafe:"Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os Seus feitos':

Estudo - O MAL DE ASAFE ! Salmo 73

O mal de Asafe ainda não está catalogado como doença, mas tem feito vítimas aos montões. Essa é uma típica patologia que corrói a mente, vai apagando todas as certezas e transforma a alma outrora vibrante num saco de dúvidas e revolta.

O mal de Asafe chama-se assim por causa do seu mais famoso paciente, um tal de Asafe, ministro de música, cuja experiência está num dos cânticos do saltério hebraico. No salmo 73, ele mesmo se queixa da doença, dá o diagnóstico e descreve sua cura.

As vítimas do mal de Asafe são propensas à zombaria, à militância ateísta, à agressão, ao álcool, às drogas, à devassidão, ao suicídio. Não poucos personagens bíblicos padeceram desse grave distúrbio. São muitos os pacientes da doença de Asafe e uma triste realidade tem de ser admitida, nem todos alcançam a graça da cura, como aconteceu com o próprio Asafe.

É preciso tomar mais cuidado com o mal de Asafe, principalmente em tempos tão violentos como os nossos, por razões óbvias.

Quem era Asafe? Um judeu, da tribo de Levi, e músico por vocação e deleite. Seus instrumentos preferidos: a harpa, o alaúde e o címbalo, todos muito antigos. Nas suas apresentações usou com mais freqüência os címbalos sonoros e os címbalos retumbantes, instrumentos de percussão compostos geralmente de dois discos de metal, que têm no centro uma pequena cavidade para aumentar a sonoridade. Foi designado músico e cantor pelos levitas, que tinham sob sua responsabilidade os serviços religiosos de Jerusalém. Participou do magnífico cortejo musical que levou a Arca do Senhor da casa de Obede-Edom para a tenda armada pelo rei Davi. Naquele dia o rei o descobriu e fez dele ministro de música. Porque também era músico — exímio tocador de harpa e profícuo compositor de salmos —, Davi deu grande ênfase à música de adoração, como expressão de louvor a Deus. Ele fazia questão de que se levantasse a voz com alegria e reservava a si a supervisão geral de toda atividade litúrgica. Eram 4 mil levitas, que, em 24 turnos, louvavam continuamente o Senhor com instrumentos fabricados por ordem do rei para esse fim. A maior parte era formada de iniciantes, que aprendiam música com os mais competentes. Era uma verdadeira escola de música sacra. Seus filhos faziam parte do corpo docente — 288 mestres ao todo. Os filhos de Asafe escreveram doze dos 150 salmos que estão na Bíblia (os onze primeiros do livro terceiro e o salmo 50).

Nesta mensagem quero explicar com mais detalhes a crise que vivenciou e da qual ele fala no salmo 73.

I. Asafe dentro da crise

Como Rui Barbosa, “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus”, Asafe chegou a desanimar da virtude. E esse desânimo o levou a uma terrível crise existencial. Quase resvalaram os seus pés em direção ao abismo da incredulidade.(v.2) Pouco faltou para que ele rompesse com a idéia de um Deus sábio, bom e justo, e jogasse fora a rica tradição religiosa até então acumulada. Esteve bem perto de uma violenta mudança de pensamento e de comportamento. Quase trocou os oráculos de Deus pelo horóscopo. Quase trocou o templo do Senhor por um terreiro de macumba. Quase mandou tudo para o inferno, inclusive sua alma!

Seu problema é que ele passou a ter inveja dos pecadores. Ele dizia: “eu também sou como eles, sujeito aos mesmos sentimentos e paixões. Por uma questão de princípios e pelo temor do Senhor, eu abortava na fonte os desejos pecaminosos”:

Quantas vezes desejei vingar-me,

Quantas vezes fui açoitado pela ira,

Quantas vezes quis projetar-me,

Quantas vezes fui assaltado pelo egoísmo,

Quantas vezes a falta de recato da mulher alheia me atiçou a lascívia,

Quantas vezes senti desânimo e preguiça.

Mas o amor a Deus falou mais alto,

Meu coração guardei puro,

Resisti os maus desígnios,

No entanto o salmista ofereceu forte resistência a todos esses sentimentos e deles se privou por amor do Senhor e por causa de seu nome. De repente se sente frustrado e se pergunta: “Será que foi à toa que eu me esforcei para não pecar e permanecer puro?”.

Pois, enquanto ele crucificava a sua carne, os pecadores pareciam livres, desinibidos, evoluídos, descomplexados, bem-sucedidos, felizes, seguros, altivos e tranqüilos. O que mais o desnorteou foi a falsa impressão de que seu zelo não lhe rendia nada. Ele pensava: “Deus não me trata de modo todo especial”. “Ele não me poupa das intempéries, do cansaço, da aflição, da doença nem da disciplina em caso de erro, por menor que seja”. Outra coisa que machucava o salmista era a popularidade dos pecadores e o seu anonimato.

A crise que a que foi acometido não foi brincadeira. Demorou algum tempo e o desgastou muito. Tentou descobrir o que estava acontecendo, mas em só refletir para compreender isso, achou mui pesada tarefa para ele. Até que um dia Asafe entrou no santuário de Deus e compreendeu o fim último dos ímpios pecadores que ele estava invejando.

II. Asafe dentro do templo

Dentro do templo é outra coisa. Dentro do templo sua vida ganha outra dimensão. O que acontece dentro do templo?

Ganha-se, ou recobra-se, como foi no seu caso, a perspectiva cristã da vida, que envolve o tempo presente e a eternidade.

Renova-se a fé na existência e no caráter de Deus. Chega-se outra vez aos seus atributos invisíveis — Ele é eterno, imensurável, incompreensível, onipotente e também supremamente sábio, clemente, justo e verdadeiro.

Dentro do templo eu me senti orgulhoso, desrespeitoso e insolente por haver duvidado da justiça de Deus para comigo e para com os pecadores.

Percebi que eu havia retirado o meu voto de confiança em Deus e por isso estava perplexo.

Dentro do templo sua alma se abre e é derramada perante o Senhor a sua ansiedade, a sua aflição, a sua dúvida, a sua revolta.


Então Asafe começa a entender e ver com clareza. No templo ele se lembra, quem sabe, do salmo de Davi: “Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniqüidade” (Sl 37.1). Tivesse ele memorizado melhor esse salmo, a crise teria sido mais passageira, pois o ímpio prepotente nesta vida se expande qual cedro do Líbano (v. 35), mas será como o viço das pastagens: será aniquilado e se desfará em fumaça (v. 20). Nada teria acontecido ao Asafe se não tivesse perdido a certeza de que “mais vale o pouco do justo que a abundância de muitos ímpios” (v. 16). Tão perto dele, tão freqüentemente em seus lábios, por que razão deixou o salmista escapar o ensino e o conforto deste salmo e não o aplicou a si mesmo?

Ainda dentro do templo Asafe percebeu que o desastre ocorreu quando a crença tradicional na justiça divina começou a ser abalada em sua mente. Se há algo que precisa permanecer intocável é exatamente a certeza de que Deus “é recompensador dos que o buscam, mas justíssimo e terribilíssimo em seus juízos, odeia todo o pecado e de modo algum terá por inocente o culpado”.

Conclusão:
Quando o salmista Asafe sai do templo estava refeito, curado, revivificado, alegre e disposto, e, ao mesmo tempo, solícito em alimentar-se da verdade, como ensina Davi ainda no salmo 37 (v. 3). Toda a mágoa desapareceu. Dizia ele: “Os pecadores continuam a se afastar do Senhor; mas..., quanto a mim, bom é estar junto a Deus: no Senhor ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos, em prosa e em verso, com címbalos retumbantes e com címbalos sonoros, entre gritos de alegria e louvor — eu, que quase troquei a música de adoração pela música profana! Graças a Deus não me tornei pedra de escândalo para os meus 4 mil instrumentistas e cantores e toda a nação de Israel!”

Que essa experiência de Asafe fale ao seu coração e lhe transmita ensinamentos para a sua caminhada com Jesus!
Luís Filipe de Azevedo

Notícia-- Cresce o número de pastores que veem islamismo e cristianismo como religiões semelhantes

O surgimento de uma vertente apelidada de “crislamismo”, que enxerga o cristianismo e o islamismo como religiões “semelhantes” levou o instituto LifeWay Research a fazer uma pesquisa com pastores e descobrir quantos deles são simpáticos a essa interpretação.

O resultado surpreendente mostrou que 17% dos pastores protestantes dos Estados Unidos são propensos a relacionar as duas crenças. O relatório do LifeWay Research considera o “segmento pequeno, mas crescente”, e chama atenção para o fato de que há cinco anos, o número de líderes evangélicos com essa visão era de 9%.

“Para entender os dados, você tem que entender que os pastores protestantes não são de uma mente. E mentes estão mudando em mais de uma direção”, afirmou Ed Stetzer, diretor executivo da LifeWay Research, lembrando da heterogeneidade teológica existente no meio protestante.

“Além disso, é importante notar que, enquanto pastores parecem estar cada vez mais familiarizado com o islamismo, a mesma grande maioria reconhece diferenças inconfundíveis entre a religião muçulmana e o cristianismo”, pontuou Stetzer, segundo informações do Gospel Herald.

A pesquisa, realizada com um grupo de 1.000 pastores, também descobriu que 50% dos entrevistados entendem que o islamismo “promove a caridade”. Na pesquisa de cinco anos atrás, esse número era de 33%.

32% dos pastores descreveram o islamismo como “espiritualmente bom”, número bem acima dos 19% registrados no levantamento anterior; enquanto 24% descrevem a religião como “tolerante”, contra 16% que manifestaram essa opinião na outra pesquisa.

No entanto, quando perguntados qual das descrições mais populares está mais perto de suas crenças, 59% dos pastores evangélicos apontaram a descrição do pastor Franklin Graham, que a define como “uma religião muito má”.

A pesquisa engloba o contexto do crescente número de norte-americanos que adotam o islamismo como religião, e a consequente popularização de discursos que se diferem daqueles adotados pelos extremistas do Oriente Médio e da África.

A centralidade de Cristo na experiência e na Reforma de Lutero


Foto: internet
Em menos de 90 anos (entre 1456 e 1543), foram feitas descobertas notáveis e surpreendentes, que abriram novos horizontes e transformaram o mundo. O gráfico alemão João Gutemberg descobriu caracteres tipográficos móveis que deram origem à imprensa (1456). O navegador genovês Cristóvão Colombo descobriu o vasto continente americano, habitado de norte a sul e de leste a oeste (1492). O navegador e explorador português Vasco da Gama descobriu a tão desejada rota marítima para as Índias (1497). O militar e navegador português Pedro Álvares Cabral descobriu a parte mais meridional do continente descoberto menos de oito anos antes por Colombo (1500). E o astrônomo polonês Nicolau Copérnico descobriu que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário, como se pensava desde Ptolomeu, 1.400 anos antes (1543).

No meio dessas descobertas, que mudaram de uma hora para outra concepções conservadoras e tímidas, há mais uma, a que causou impacto maior e mais prolongado, com repercussões que duram até hoje. Trata-se da descoberta, ou melhor, da redescoberta da graça de Deus, pelo monge alemão Martinho Lutero.

Para redescobrir a graça, o “javali da floresta”, como o chamou o papa Leão X, teve de fazer outras redescobertas, a princípio desconcertantes, e, mais tarde, alvissareiras. Lutero percebeu a miséria humana: “Nós somos mendigos, essa é a verdade”. Essa revolucionária e difícil redescoberta levou-o a outra: “Cheguei, de fato, à firme conclusão de que ninguém é capaz de justificar-se por suas obras [e] que é preciso recorrer à graça divina, que pode ser obtida por meio da fé em Jesus Cristo”. A partir dessas duas redescobertas preliminares, ele chegou logo à graça, que é o amor de Deus ativo em benefício da salvação do homem.

Depois da descoberta pessoal da graça, Lutero se viu na obrigação de torná-la conhecida dos outros miseráveis “mendigos”. Ele entendeu que sua tarefa, a partir de então, seria trazer à luz o que estava e está encoberto e obscurecido: as boas notícias de que nos “nasceu um Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11). É por isso que ele se apresentava como “Doutor Martinho Lutero, indigno evangelista de Nosso Senhor Jesus”. Ao contrário do que muitos ainda pensam, o alvo de Lutero era proclamar o evangelho, não reformar a igreja. O resto todo, inclusive a Reforma, foi conseqüência.

Os pesquisadores católicos Erwin Iserloh e Harding Meyer registram no livro Lutero e Luteranismo Hoje: “Em sua maneira aguda de falar, [Lutero] chega a expressar-se ocasionalmente assim: O fato de o papa viver em concubinato não tem importância; mas é insuportável que não pregue o evangelho, que até o escamoteie”.


1 Outro reformador, Guilherme Farel, de Genebra, pensava como Lutero, ao censurar o sacerdote católico “não por sua má vida, mas por sua má crença”.

Para Lutero, “o evangelho é e não pode ser outra coisa senão uma prédica de Cristo, filho de Deus e de Davi; verdadeiro Deus e [verdadeiro] homem, que superou, para nós, com sua morte e ressurreição, o pecado, a morte e o inferno de todos os homens que nele crêem”.

3 O cristocentrismo de Lutero — expresso nas famosas frases latinas solo Christus (só Cristo e nada mais), sola gratia (só a graça e nada mais) e sola fide (só a fé e nada mais) — é tal que ele insiste: “Somente Jesus, filho de Deus — repito, somente Jesus, filho de Deus — redimiu-nos dos pecados”.

4 Por causa dessa fantástica descoberta da graça, Lutero é chamado de “pai na fé”, na monografia cheia de calor humano, preparada pelo historiador católico Peter Manns, publicada em 1982. Ou de “doutor comum”, como sugeriu, em 1970, o cardeal J. Willebrands, presidente do Secretariado para a Unidade dos Cristãos, do Vaticano, por ocasião da quinta assembléia da Federação Luterana Mundial, realizada em Evian, em 1970.

Porque ainda existe a tentação de deixarmos Jesus Cristo de fora da igreja, das homilias, das teses, dos livros, da televisão, da internet e da história, (e essa tentação não deixará de acontecer nos séculos vindouros), precisamos ressuscitar a ênfase cristocêntrica de Lutero, expressa magistralmente na tese nº 62: “O verdadeiro tesouro da igreja é o santíssimo evangelho da glória e da graça de Deus”. Esse seria o laço de aproximação mais razoável, mais necessário e mais urgente, o único que evitaria o vexame pelo qual passou o pastor da igreja em Laodicéia, que se dizia cristã sem a efetiva presença de Cristo (Ap 3.20).
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Sola Scriptura - Reforma Protestante

Martinho Lutero ( Imagem: internet)

Repórter – O doutor poderia resumir em poucas palavras o conteúdo básico da revolução religiosa que está acontecendo na Europa desde 1517? Lutero – Preciso apenas de uma ou duas linhas para resumir tudo: “sola scriptura”, “sola gratia” e “sola fide”. Essas expressões latinas são os nossos três “somentes”: só as Escrituras, só a graça e só a fé.

Repórter – Foi o doutor quem inventou esses três “somentes”? Lutero – Eu não inventei. Eles já existiam. Mas estavam lamentavelmente cobertos de poeira grossa e teias de aranha, arremessados à sujeira e pisoteados. Pela graça de Deus, redescobrimos o valor das Escrituras, o valor da graça e o valor da fé, tiramos a poeira, lustramos essas riquezas e as trouxemos à luz do dia. Agora que está tudo limpo e brilhando de novo, cada um pode ver como é o evangelho de Jesus.

Repórter – O que o doutor quer dizer com o “sola scriptura”? Lutero – Quero dizer que somente a Escritura — e não a Escritura somada à tradição da Igreja — são a fonte de revelação cristã. A Bíblia deve ser a primeira e a última palavra para qualquer declaração de fé.

Repórter – Então o doutor se coloca em oposição à rica tradição da Igreja. Lutero – Não é bem assim. Eu coloco a Escritura acima da tradição, e não o contrário.

Repórter – Nunca em pé de igualdade?

Lutero – Também não. Pois a Escritura não pode ser equiparada à tradição. São Paulo diz que “toda Escritura é inspirada por Deus” (2 Tm 3.16). Não se pode dizer o mesmo com respeito à tradição.

Repórter – Em que lugar o doutor coloca os pronunciamentos papais?

Lutero – Sempre abaixo da autoridade da Bíblia. Esta deve governar como Palavra de Deus na Igreja e não pode ser embaraçada pelo magistério papal nem rivalizada por supostas revelações adicionais.1

Repórter – Mas há coisas que a Escritura não explica. Lutero – Na “Exposição de Romanos”, de João Calvino, o reformador francês radicado em Genebra, 26 anos mais novo do que eu, afirma acertadamente que não devemos “procurar saber nada mais senão o que a Escritura nos ensina”. Ele diz também que “onde o Senhor fecha seus próprios lábios, devemos impedir que nossa mente avance sequer um passo a mais”.

Repórter – Já que o doutor mencionou o nome de Calvino, pergunto se vocês estão de acordo quanto ao “sola scriptura”.

Lutero – Apesar de nossas divergências de ênfase e de estilo, eu, Calvino e Ulrico Zwínglio, o reformador suíço, nascido um ano depois de mim, estamos de pleno acordo quanto à centralidade da Palavra de Deus e quanto à certeza de que a Escritura é a fonte para se pensar em Deus.2

Repórter – A Escritura está ao alcance do povo?

Lutero – De 1457, dezessete anos depois da invenção da impressão com tipos móveis, a 1517, ano das “Noventa e Cinco Teses”, foram publicadas mais de 400 edições da Bíblia. Não estou incluindo nessa estatística o Novo Testamento de Erasmo e a Bíblia em alemão por mim traduzida.

Repórter – O preço de cada exemplar da Escritura deve ser proibitivo.

Lutero – No passado, as Bíblias em latim custavam 360 florins. As mais elaboradas, chegavam a custar 500 tálares. Mas o Novo Testamento que traduzi logo após a Dieta de Worms, é vendido a um florim e meio!

Repórter – Qual a relação entre o “sola scriptura” e o “sola gratia”?

Lutero – O primeiro “somente” nos leva ao segundo “somente”. Isto é, na leitura da Escritura redescobrimos que a vida eterna é o dom gratuito de Deus, como São Paulo ensina na Epístola aos Romanos (6.23). A Escritura, e nada mais, é o instrumento pelo qual o Espírito nos conduz à graça. A Igreja há muito tempo deixou o “sola gratia” no esquecimento e começou a tornar a salvação mais difícil, distante, incerta, meritória e burocrática.

Repórter – Mais lucrativa também? Lutero – Não posso negar esse fato, frente ao problema do comércio das indulgências, quando o perdão de pecados e a remissão da culpa são vendidos de cidade em cidade muito mais em benefício do Estado papal do que das almas.

Repórter – O que o doutor quer dizer com o “sola gratia”?

Lutero – Entendo e prego que o pecador é justificado somente pelo amor, pela misericórdia e pela graça de Deus, e nada mais. O “sola gratia” tanto me abaixa até o pó como me ergue até às estrelas. Primeiro me humilha, depois me honra; humilha-me quando me informa e me convence de que não tenho nada para oferecer em troca da salvação; honra-me quando me informa e me convence de que em Cristo fui salvo (isto é justificação), estou sendo salvo (isto é santificação) e serei salvo (isto é glorificação). A graça de Deus me livra da culpa, do poder e da presença do pecado.

Repórter – Mas isso é formidável! Lutero – De fato. Todavia, como reza o “sola scriptura”, “olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam” (1 Co 2.9). Deus ainda tem muito mais para nos oferecer e mostrar.

– Trecho retirado do livro Conversas com Lutero, p. 222-224, de Elben M. Lenz César.

*31 de Outubro – Dia da Reforma Protestante
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